7 de setembro de 2010

Cultura Digital e Tradição Oral na Educação Amazônica

Durante a 14ª edição da Feira Pan Amazônica do Livro, muitas idéias de solidariedade e fortalecimento da cultura popular foram propostas pelos movimentos software livre e culturas tradicionais. Desde o primeiro dia fomos felicitados com a presença de nossos mestres da tradição oral, remanescentes de quilombolas, tocadores, cantadores e contadores de histórias nas rodas de conversa, momentos de formação e bate-papos.
A roda que aconteceu no dia 29 de agosto já iniciou com uma vibração muito positiva, pois logo na abertura aconteceu uma celebração que certamente intensificou nossa sensibilidade e nos  colocou em sintonia uns com os outros, facilitando as trocas.
Entre as discussões apresentadas, a importãncia do papel da educação na sociedade e na mudança de concepções acerca da cultura popular foi uma dos pontos lembrados. Outra questão importante apresentada nas falas dos participantes foi a apropriação adequada das tecnologias na divulgação e fortalecimentos dos saberes e fazeres tradicionais do povo da Amazônia e de todo o Brasil, assim como facilitar as trocas de conhecimentos, resultados e informações sobre as comunidades quilombolas, os pontos de cultura, os coletivos de arte e comunicação, entre outros representantes da cultura popular Brasileira.

Rosenildo, do Ponto de Cultura ARQUITA Fazendo Arte,  que reúne quatro comunidades da região de Marajó nos conta que na sua comunidade a chegada das novas tecnologias trouxe também a cultura de massa e como consequência o afastamento ainda maior da cultura tradicional quilombola, como o samba de cacete e o carimbó, pois a mídia tradicional impõe a cultura e interfere na vida da comunidade.
A mestre D. Onete, uma grande cantora e sábia mestre  de Igarapemirim, propôs um desafio, o “nosso grito de união” para o reconhecimento da cultura popular. Ela convidou os participantes da roda a organizarmos de forma coletiva e solidária um grande encontro: ” se este rio é minha rua, se esta rua é meu rio…”, um cortejo com barcaças,com festa de chegança, dia da ramada, enfeite de mastros, cabanas e bandeiras. O desafio foi aceito com entusiasmo pelo grupo da roda de conversa.
Ronaldo Eli, da Rádio Amnésia e da Rede Mocambos, foi convidado para paricipar do Espaço Cultura Digital da Feira e veio para ajudar na criação da Rádio Tucupi. Ele defende a  acesso à tecnologia como ferramenta para dar visibilidade às verdadeiras lideranças deste país, que são os mestres e ativistas da cultura. Ele lembrou que a cultura é também um movimento político.Guiné, multiplicador de rádio livres entende que é necessário haver comprometimento e envolvimento coletivo para a difusão do conhecimento e da cultura popular.
Em relação à discussão sobre cultura e educação, muitos dos presentes apresentaram em suas falas a necessidade de valorização da escola como Ponto de Cultura. Essas idéias estão sendo pensadas pelo MINC através de um projeto  de potencialização e valorização da cultura do nosso páis através das escolas, apresentando a diversidade e a beleza das coisas feitas pelos povos brasileiros, conforme nos falou a representate da Secretaria de Cultura e Cidadania, Valéria Viana.
Outros participantes falaram da importãncia de se desenvolver projetos de criação artística nas escolas. Bispo compartilhou um pouco da experiẽncia que vem sendo construída no instituto Curro Velho, onde aproximadamente 20 escolas estaduais de Belém receberão oficinas de arte e cultura.
Neste clima de solidariedade e fé na cultura popular brasileira a roda foi sendo encerrada, mas só temporariamente, pois a vontade da maioria é de continuar esse importante debate da aproximação da cultura popular e educação em todo o Brasil. A conversa continua em nossas redes e também através de encontros que serão pensados e organizados por este coletivo de pessoas envolvidas na discussão.
Em cortejo, o grupo deixou a sala 7 do Hangar no mesmo clima que chegou, de festa e celebração, com música e alegria.

Por: Vania Pierozan – Rede Mocambos

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