Banana Split
Eduardo Alves da Costa
Não Te Rendas Jamais
Eduardo Alves da Costa
| Aos que devoram o mundo tranquilos, como se comessem uma banana split; aos que usam as assembléias como balcão de negócios, na esperança de vender seu estoque de bombas; aos banqueiros internacionais, pressurosos em atender os mendigos de Estado, em troca de pequenas concessões; aos que plantam suas máquinas em terras estrangeiras, para espremer os frutos, o solo e as gentes; àqueles que falam doce e mandam seus missionários catequizar os gentios com hinos de dúbia letra; aos amantes da ciência, magos e feiticeiros, hábeis em curar moléstias geradas por eles mesmos; aos que levam nosso ferro e areias monazíticas e nos devolvem em troca o saldo de suas festas; aos que matam nossa fome com sacas de feijão podre e nos afogam a sede num mar de refrigerantes; aos que abrem suas asas sobre nossas cabeças ocas e nos fazem aliados contra o inimigo deles; enfim, a todos aqueles que usando de artimanhas suas artes nos ensinam, nossa gratidão eterna. E a promessa de que um dia, tão logo estejamos prontos, restituiremos em dobro. |
Não Te Rendas Jamais
| Procura acrescentar um côvado à tua altura. Que o mundo está à míngua de valores e um homem de estatura justifica a existência de um milhão de pigmeus a navegar na rota previsível entre a impostura e a mesquinhez dos filisteus. Ergue-te desse oceano que dócil se derrama sobre a areia e busca as profundezas, o tumulto do sangue a irromper na veia contra os diques do cinismo e os rochedos de torpezas que as nações antepõem a seus rebeldes. Não te rendas jamais, nunca te entregues, foge das redes, expande teu destino. E caso fiques tão só que nem mesmo um cão venha te lamber a mão, atira-te contra as escarpas de tua angústia e explode em grito, em raiva, em pranto. Porque desse teu gesto há de nascer o Espanto. |
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